História – Cidade Estado Esparta

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Este artigo, não têm como objectivo, de ser considerado um trabalho académico ou de possuir a qualidade de documentos elaborados por historiadores ou investigadores profissionais.

Nestas simples iremos abordar ao de leva a História de Esparta, iremos percorrer um caminho aonde veremos fragmentos da realidade desta cidade histórica sem a pretensão de possuirmos a verdade absoluta. O autor está ciente que os factos históricos de hoje podem amanhã ser rotulados de fantasiosos e incorrectos, por isso este artigo irá sofrer alterações a medida que novos factos surjam.

Esparta – Fundação

Esparta surgiu por volta do século IX A.C. com a fusão de 4 aldeias da Lacónia, segundo a mitologia grega Lacedaemon Rei da Lacónia fundou a cidade de Esparta dando-lhe o nome da sua esposa. E por este facto que Esparta era igualmente conhecida por Lacedemónia sendo os espartanos também apelidados de lacedemónios .

A mitologia era crucial na vida da Grécia antiga, ela servia para orientar toda a vida e para justificar a superioridade de uma cidade estado sobre as outras. Desta forma Lacedaemon era filho do Deus Zeus, sendo assim Esparta existia por vontade e intervenção divina.

Os gregos antigos dividiam-se maioritariamente em 4 tribos os Dóricos, Jónicos, Éolicos, Aqueus, os espartanos eram Dóricos já os atenienses eram Jónicos.

Não se sabe exatamente de onde surgiram os Dóricos, sabe-se que invadiram a Grécia por volta de 1150 A.C., mas desconhece-se a origem mas alguns historiadores sugerem que vieram do norte da Grécia das montanhas.

Licurgo foi o maior legislador de Esparta não se sabe se Licurgo existiu realmente ou se é apenas uma construção histórica para justificar as leis e costumes de Esparta.

Acredita-se que (a ter existido) terá vivido por volta do século VIII a.c., foi responsável pela legislação que tornou esparta na melhor potência militar do seu tempo.

Organização Política Espartana

Diarquia – Reis

Esparta possuía dois Reis que reinavam ao simultaneamente, eram originários de duas famílias reais distintas. Um dos Reis lidera o exército em batalha enquanto o outro ficava em Esparta desta forma evitava-se que em caso de derrota e morte de um Rei houvesse um vazio político.

Obviamente o facto de haver dois Reis que partilhavam o poder dificultava o aparecimento de ditadores, e importa realçar que os Reis em Esparta reinavam e pouco governavam já que existiam outras instituições políticas para esse efeito.  

Gerúsia – Conselho Espartano

A Gerúsia foi implementada por Licurgo era um conselho composto por 30 homens, 28 homens eram eleitos vitaliciamente entre os espartanos com mais de 60 anos, os outros 2 lugares eram ocupados pelos reis. Este conselho possui tanto poder como o dos 2 Reis de forma a evitar que os mesmos obtivessem demasiado poder e se tornassem tiranos.

Este conselho legislava, supervisionava, julgava assuntos de carácter superior e preparava as propostas que seriam apresentadas na Apela.

Apela – Assembleia Geral Espartana

Esta Assembleia Geral era constituída por todos os Espartanos maiores de 30 anos, presume-se que acontecia uma vez por mês ao ar livre, aprovavam ou rejeitavam as propostas da Gerúsia e elegiam os elementos da Gerúsia bem como os magistrados. Contudo segundo o que Plutarco escreveu a mesma não possuía muito poder já que estavam impedidos sequer de debater as propostas apresentadas, limitavam-se a votar sim ou não.

Eforato – Os verdadeiros governantes de Esparta

O verdadeiro poder em Esparta era constituído pelo Conselho dos Éforos, este conselho possuía 5 éforos que eram eleitos pela Apela no Outono de cada ano. Estes elementos eram eleitos entre o povo espartano e ocupavam o lugar apenas durante um ano e possuíam a maior parte do poder executivo em Esparta.

Eles fiscalizavam o papel dos Reis e acompanhavam os exércitos em batalha (2 éforos), presidiam a Apela e Gerúsia e eram os verdadeiros governantes em Esparta.

Este conselho apareceu muito após a presumível morte de Licurgo e basicamente ficaram com o poder executivo dos Reis.

Podemos constatar pela análise das instituições políticas espartanas que os mesmos apesar de não serem tão democratas como os atenienses possuíam uma aversão profunda pela tirania. Desta forma a divisão do poder pelas várias instituições assegurava a defesa do povo espartano contra tendências tiranas.

É de estranhar que um povo tão austero e tirano, já que Esparta controlava com mão de ferro inúmeros povos, tinha uma aversão a ditadores e tiranos.

Religião Espartana

A religião era extremamente importante em Esparta bem como em toda a Grécia no geral, mas os espartanos aparentavam ser um pouco mais militantes. Em Esparta existem dezenas e dezenas de templos, veneravam a deusa Atenas, Apolo, Castor e Pólux  entre muitos outros.  Prestavam culto a heróis da guerra de Troia como Aquiles e pensa-se que veneravam os túmulos de grandes guerreiros espartanos mortos em batalha que normalmente eram enterrados dentro das próprias muralhas da cidade.

Prestavam um culto especial a Héracles, semideus filho de Zeus e Almcena, que alegadamente teria ajudado o Rei espartano Tíndaro a recuperar o seu trono. Acreditavam que as 2 famílias reais eram descendentes directas de Héracles.

Os sacerdotes espartanos acompanhavam o exército e antes de iniciar a batalha procediam ao sacrifício e oferendas de vários animais aos Deuses para os terem do seu lado. Eram muito supersticiosos e por isso “liam” exaustivamente as entranhas dos animais sacrificados a procura de sinais de boa sorte ou de maus augúrios.

Os espartanos eram conhecidos por nunca recuarem ou retirarem perante ninguém, preferiam a morte a essa desonra, contudo se tivessem maus augúrios não iniciavam batalha e esperavam por melhores sinais.

Os espartanos também tomavam em consideração o Oráculo de Delfos que teve um papel fundamental na batalha das Termópilas já que fez a seguinte previsão:

“Ouçam seu destino, ó moradores de Esparta!
Ou a sua famosa e grande cidade deve ser saqueada pelos filhos de Perseus,
Ou, em troca, toda a terra da Lacônia
Irá lamentar a morte de um rei, descendente do grande Heracles.”

Era um povo extremamente religioso aliás a Diarquia que consistia em possuírem 2 reis parece ter sido influenciada pela história de Castor e Pólux. Ora Castor e Pólux eram gêmeos  filhos de Leda, Rainha de Esparta e esposa do Rei Tíndaro. Reza a lenda que Zeus encantado com a beleza de Leda transformou-se num belo cisne para enganar e seduzi-la.

A Rainha Leda engravidou e deu a luz um par de gêmeos, Pôlux filho de Zeus era imortal como o pai, já Castor era filho do Rei Tíndaro logo mortal como o pai.

Os gêmeos eram inseparáveis e viveram grandes aventuras tornando-se heróis conhecidos em toda a Grécia, por fim numa batalha contra outro par de gémeos Castor foi morto com um golpe de uma lança. Pôlux ficou tão destroçado que suplicou a seu pai Zeus que devolvesse a vida a Castor, Zeus sensibilizado com a dor do filho apresentou a única alternativa possível, Pôlux teria que dividir a sua imortalidade com Castor e por isso viveriam alternadamente, enquanto um vivia o outro estaria morto.

Pôlux aceita a proposta do seu pai Zeus e este para celebrar esta grande prova de amor catasterizou (na mitologia grega os deuses podiam catasterizar alguém de forma a evitar que morressem) os irmãos na constelação de gêmeos para serem recordados eternamente.

Os espartanos representavam os gêmeos em ânforas que acompanhavam os exércitos de forma a estarem protegidos pelos 2 irmãos.

Ora os Reis Espartanos não podiam reinar um sem o outro eram sempre necessários 2 Reis tal como Pôlux não podia viver sem Castor, enquanto um vivia o outro morria como quando um Rei Espartano liderava o exército o outro ficava em Esparta.

O exército espartano quando preparava-se para partir para a guerra efectuava um sacrifício a Zeus, ao abandonar as fronteiras de Esparta procedia a novos sacrifícios a Zeus e Atenas. A Zeus porque era o principal Deus que exercia autoridade sobre os outros todos, a Atenas porque era a Deusa da Guerra.

Antes da batalha os espartanos procediam a novo sacrifício desta vez ao Deus Ares, Ares era como sua irmã Atenas um Deus da guerra, mas enquanto Atenas estava ligada a uma guerra mais estratégica e táctica Ares representava uma guerra selvagem.

Os restantes gregos não gostavam nem prestavam muito culto a Ares, mas em Esparta existia uma estátua do Deus Ares acorrentada que simbolizava que o espirito da guerra nunca deveria abandonar a cidade.

Sociedade Espartana

Em Esparta existiam 3 grupos sociais muito distintos entre si a transposição de um grupo para o outro era muito difícil ou mesmo impossível.

Esparciatas

Filhos de pai e mãe espartanos eram os únicos com poderes políticos em esparta, dedicavam a vida ao estado espartano servindo no exército. Estavam impedidos de exercer actividades comerciais e eram a minoria da população.

Periecos

Os periecos eram basicamente descendentes dos povos conquistados pelos Dórios, viviam na periferia de Esparta. Estavam integrados em Esparta pagavam os seus impostos, eram livres mas sem qualquer direito político, em contrapartida podiam dedicar-se ao comércio e a actividades artesanais.

Possuíam contingentes próprios que complementavam as forças espartanas em batalha, não possuíam nem de longe o treino militar dos Esparciatas mas presumo que possuíssem instrutores militares esparciatas logo deveriam possuir uma capacidade militar superior aos demais gregos.

A estudiosos que os Periecos possuíam uma vida mais folgada e confortável que os Esparciatas, enquanto os esparciatas passavam a vida a servir o exercito os Periecos podiam enriquecer com o comércio e acumular riquezas.

Hilotas

Os hilotas eram servos de Esparta eram oprimidos e violentados de forma impiedosa pelos Esparciatas. Eram obrigados a trabalhar nos terrenos dos esparciatas, nos Kleros, tendo que entregar 50% das colheitas aos seus senhores.

Esparta dependia destes servos para sobreviver e por isso governava-os com uma mão de ferro, anualmente realizavam a Krypteia que consistia cruamente num massacre anual de hilotas que fossem problemáticos.

Este povo estava sempre sobre opressão e tentou revoltar-se várias vezes contra o jugo espartano, poderá também por este factor que um dos Reis Espartanos ficava sempre em Esparta de forma a controlar qualquer indício de revolta.

Os Hilotas acompanhavam o exército espartano como tropas auxiliares, tratavam do acampamento, das armas, e no combate em si ficavam perto dos espartanos lançando dardos e pedras sobre o inimigo.

Os Hilotas não eram propriamente escravos (a luz dos dias actuais seriam) se consideramos a realidade Grega, mesmo Atenas considerada o berço da democracia possuía escravos. Ao conquistarem uma cidade adversária muitas vezes assassinavam os homens e vendiam a restante população como escravos. Ora os Hilotas faziam parte da sociedade espartana, já que em verem de serem exterminados foram incluídos na mesma estando contudo no fundo da base social.

Plutarco refere que os Hilotas eram tratados de forma cruel e desumana e talvez ser escravo em Atenas fosse ligeiramente melhor que ser Hilota em Esparta.           

Educação Espartana – Vida é Guerra

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Sobre Sparta